HISTÓRICO

Imigração Alemã no Rio Grande do Sul

Após várias disputas com os vizinhos latinos, por motivo da fixação das fronteiras meridionais, o governo imperial brasileiro decidiu investir na colonização de imigrantes europeus nas terras ao sul do Brasil, assim garantindo a permanência daquela região ao território brasileiro.

A necessidade de colonizar o sul era visível, mas onde buscar os colonizadores? É claro que não viriam portugueses, de quem o Brasil acabara de se emancipar. Espanhóis, nem pensar, pois eram os inimigos naquela região. Franceses também não, por que tinham, em uma determinada ocasião, invadido o Rio de Janeiro, fundando a "França Antártica". Ingleses também não, pois igualmente haviam tentado instalar-se no Brasil. Holandeses fora de cogitação, pois estiveram 24 anos no Nordeste. Alemães. Leopoldina, esposa de Dom Pedro I, era alemã. A Prússia, que depois integraria a Alemanha, tinha um exército reconhecido e admirado por Dom Pedro I, cujas tendências militares eram conhecidas e o Brasil precisava de soldados, já que os portugueses, com a independência, haviam voltado para Portugal. Quem defenderia o Brasil? O imperador do Brasil interessou-se por mercenários alemães e, provavelmente, para não ser notado esse "movimento militarista", passou a contratar também colonos que ocupariam as terras sulinas.

Para proceder adequadamente, foi enviado à Alemanha Jorge Antônio von Schäffer, preposto (espécie de diplomata) do império. A missão de Schäffer, embora exitosa, teve muitos percalços. A Europa estava impedindo que soldados saíssem como mercenários. Quem desejasse imigrar deveria renunciar à sua nacionalidade e apresentar provas de que o país destinatário lhe daria nova nacionalidade. Os países europeus queriam se prevenir contra futuras responsabilidades.

O governo brasileiro oferecia: passagem paga; concessão de cidadania; concessão de lotes de terra livres e desimpedidos; suprimento com primeiras necessidades; materiais de trabalho e animais; isenção de impostos por alguns anos; liberdade de culto.

No Brasil há uma expressão popular que diz: "Quando a esmola é grande demais, o pobre desconfia". É muito possível que alguém considerasse a oferta grande demais. Isso iria confirmar-se mais tarde, porque chegar ao Rio Grande, mais especificamente em São Leopoldo, e receber um lote de terras a 30 ou 40 quilômetros de distância da sede, sem estrada, sem escolas, na mata virgem, deve ter provocado muitas lágrimas. Com relação à liberdade de culto oferecida - o Governo deveria prever que entre os imigrantes haveria luteranos - era inconstitucional, porque pela Constituição Imperial de 1824 a religião oficial era a Católica Apostólica Romana. Outros credos poderiam ser praticados, em caráter particular, em casas, sem aparência exterior de templo.

 

Aspectos Básicos sobre a Imigração Alemã no Brasil.

A imigração desempenhou importante papel histórico não só no povoamento do globo, mas no incremento de países hoje desenvolvidos. ...

...Historicamente, os primeiros imigrantes que vieram para o Brasil foram os Portugueses e os negros africanos, a partir do século XVI. Esses fluxos migratórios do período colonial, no entanto, não caracterizam a imigração estrangeira para o Brasil, já que serviriam para construir a base demográfica e étnica do país que então se formava.

A imigração propriamente dita começou no século XIX... ... em 1808 chegaram os primeiros 1.682 colonos suíços que viriam a fundar a cidade de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro.

A partir de 1824 o país passou a receber imigrantes (oriundos sobretudo da Alemanha e da Itália), de forma mais ou menos constante . Assim naquele ano chegaram os primeiros alemães, que se fixaram no Rio Grande do Sul. Durante todo século XIX, novas levas de imigrantes alemães dirigiram-se não apenas pra o território gaúcho, mas também para Santa Catarina e Espírito Santo. ...

... A imigração no Sul (Alemã) foi promovida pelo Governo Imperial pela existência de áreas devolutas, que poderiam ser doadas aos colonos, por certo interesse de "branquear" a população brasileira e pela disputa com os países latinos pela fixação das fronteiras meridionais do país, entre outros motivos. Os problemas políticos econômicos na Alemanha (guerra de unificação) iriam determinar a vinda de imigrantes para o Brasil.

Monumento ao Imigrante São Leopoldo RS

Em 1824 chegaram ao Brasil 1.261 colonos, que se instalaram onde hoje fica São Leopoldo (RS). Outras colônias se seguiram a está no próprio Rio Grande do Sul, em Santa Catarina (Blumenau, Joenville, etc) e no Paraná. A partir de 1870, com a unificação da Alemanha e conseqüente desenvolvimento econômico, esse movimento imigratório foi interrompido. ...

Blumenau SC

Trecho referente às imigrações de povos ao Brasil, retirado da enciclopédia "Larousse Cultural" de 1999.

 

A chegada da família Lamb ao Brasil

Mas em 16 de dezembro de 1827 chegava no Brasil, mais precisamente a São Leopoldo, RS, a família Lamb. Vinha composta do casal de pais com 6 filhos, todos homens. Chegaram ao Brasil com o vapor "Der Fliegender Adler" ("Águia Voadora"). Tinham vindo de Womrath, um povoado alemão existente até hoje, pertencente ao distrito de Kirchberg, porém de tão pequeno não encontrável em todos os mapas. Fica próximo a Simmem, na região de Hunsrück, no estado de Renânia-Palatinado (Rheinland Pfalz). O pai, Johann Peter Lamb, nascido em 14/02/1778, era casado com Anna Elisabetha Oehl, nascida em 21/09/1780 e seus 6 filhos, pela ordem, com respectivas datas de nascimento foram: Johann Peter Lamb, 06/10/1805; Johann Adam Lamb, 01/10/1807; Johann Georg Lamb, 04/02/1814; Johann Nicolaus Lamb, 02/03/1816; Johann Christian Lamb, 30/12/ 1818 e Johann Conrad Lamb, 01/11/1821. Deslocaram-se para São José do Hortêncio ("Portuguieserschneis"), no interior de São Leopoldo, onde os filhos casaram e tiveram, como era costume na época, numerosa prole para ajudá-los com a mão de obra tão necessária. Integraram a lista dos pioneiros daquela localidade.

Fizeram parte da primeira diretoria da Igreja Evangélica Luterana, religião que trouxeram consigo e que a quase unanimidade ainda continua a professar. Ali permaneceram os Lamb por cerca de 50 anos, quando alguns começaram a se espalhar, primeiro no próprio estado, e depois, já no primeiro quarto deste século a muitos estados brasileiros, ascendendo a milhares de descendentes. Segundo levantamento e estudo genealógico em curso há uma década (Arnold Lamb, rua D. Pedro II nº 2230 Cascavel, Paraná; fone: 045-2232244), até hoje nunca mais veio outra família Lamb ao Brasil a não ser aquela em 16/12/1827.

Assim sendo, todos os que têm o sobrenome Lamb ou então Lamp têm sua origem em um desses 6 filhos do patriarca Johann Peter Lamb. Espera-se reunir em futuro próximo num grande encontro o maior número possível dos seus descendentes. São 170 anos da família Lamb no Brasil, lembrados neste 16 de dezembro de 1997.

 

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